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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Desemprego e inadimplência: as consequências de não se investir em produtividade

Leio em O Financista:

"A escalada do desemprego tem atingido cada vez mais pessoas e quatro em cada dez brasileiros (42,2%) têm algum familiar desempregado dentro da própria casa, segundo pesquisa da SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e da (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas).

O número salta para 76,3% quando se trata de conhecer alguém que foi demitido nos últimos seis meses ou que tiveram de encerrar as atividades do seu negócio.

Diante do mercado de trabalho em deterioração, 82,7% dos pesquisados acreditam que o desemprego aumentará neste ano e mais de um terço (37%) avalia que não se sentem seguros em seu trabalho."

Em outra reportagem:

"O número de inadimplentes atingiu 60 milhões em março, o que representa 41% de toda a população brasileira, segundo a Serasa Experian. É o maior patamar registrado em toda a série histórica, iniciada em 2012.

Mais de dois milhões de pessoas entraram para a lista de inadimplentes apenas no primeiro trimestre deste ano. As dívidas em atraso somam R$ 256 bilhões."

As notícias são de hoje (13/04) e ontem (12/04), e os links estão disponíveis no final deste texto. Recomendo que vejam.

Bom, então está aí, para quem quiser ver, quais os reais efeitos de se estimular o consumo através de crédito e não se investir em produtividade. Diferente do que é ensinado em nossas universidades, essa estratégia é um fracasso absoluto quando aplicada. É uma pena que, como sempre, temos de aprender da pior maneira, mas alertas não faltaram de que estas consequências seriam inexoráveis.

Funciona mais ou menos assim: o crédito é concedido, sem um aumento proporcional da riqueza do país; com isso, o consumo aumenta momentaneamente; aumentando o consumo, aumenta-se a demanda; a emissão de crédito, por sua vez, ocasiona um aumento na inflação; com a inflação, o dinheiro de quem trabalha vale cada vez menos, portanto, não tendo um aumento proporcional de seu salário, o trabalhador precisará de outra fonte de renda para manter o mesmo padrão de vida; este último item, aliado de uma grande facilidade de crédito, ocasiona pedidos em massa de financiamentos; passado o período de alto consumo gerado pelo crédito, a demanda cai; caindo a demanda, diminui-se a produção; com a produção em baixa, funcionários são demitidos (funcionários estes, que normalmente aproveitaram da bonança de crédito); demitidos, não podem honrar suas obrigações, e acabam entrando para a conta do Serasa.

É simples, mas keynesianos não entendem. Não existem milagres em se tratando de economia. Certas medidas ocasionam certas consequências. E assim como não afundamos neste buraco de um dia para o outro, não será desta maneira que sairemos dele.

Acredito que ainda não estejamos frente ao momento mais crítico desta crise. Ainda veremos o desemprego aumentar, que aumentará consequentemente a inadimplência. Para aqueles que são sócios de bancos, creio que surpresas desagradáveis virão nos próximos relatórios. Para aqueles que perderam o emprego, creio que não há sinais de melhoria do mercado a curto prazo.

O momento é de estacar a sangria que está nos matando, para depois pensarmos em alguma melhoria a médio prazo. Por hora, a única coisa que posso dizer é: temos de extirpar o PT do poder.


*

Referências: 

Link 1

Link 2

sábado, 2 de abril de 2016

Fechamento - Março/2016

Senhores!

Vamos a mais um fechamento mensal deste blog, em um mês em que o Ibovespa valorizou-se praticamente 20%. Tenho lido postagens extremamente otimistas e em geral os investidores se animaram bastante com esta subida repentina e inesperada. Entendo... Estamos há mais de três anos em queda livre, e uma subida desta ordem é um alento para os corajosos investidores que seguram seus investimentos em tempos como estes. Parabenizo-os por isso, mas infelizmente não compartilharei do mesmo otimismo.

O que está acontecendo no Brasil é uma verdadeira tragédia. Neste mês de março, além da grande subida do Ibovespa, também deu-se a divulgação dos resultados anuais do exercício de 2015 por parte das empresas listadas na bolsa. E em geral, como foram os resultados? Horrorosos, trágicos, assustadores, absolutamente desmotivadores.

Segundo dados divulgados pela consultoria Economatica, o lucro das empresas de capital aberto no Brasil caiu 87,2% em 2015, em comparação com o ano anterior. Somadas, as 297 empresas tiveram lucro de R$ 14 bilhões no ano passado, ante R$ 109,8 bilhões em 2014.

O PT destruiu o nosso país.

Enquanto não tirarmos estes canalhas do poder e colocarmos alguém minimamente decente que possa diminuir a estrutura do governo e divulgar de forma transparente o tamanho do buraco em que nos metemos, não será possível fazer uma previsão razoável de quanto tempo iremos levar para voltar aos trilhos.

Dito isso, faço um breve comentário a respeito dos resultados anuais das minhas empresas. Em geral, e tendo em vista as circunstâncias, fiquei satisfeito. Apenas uma empresa me decepcionou, mas não ao ponto de me obrigar a retirá-la da carteira. Não irei fazer nenhum movimento brusco nos próximos doze meses. Continuarei aportando, acompanhando, estudando, e a estratégia continua rigorosamente a mesma.

Sem mais delongas, vamos aos resultados:

Rentabilidade mensal: 7,07%
Rentabilidade anual: 2,50%
Rentabilidade histórica: -9,11%

Tive a maior rentabilidade mensal do ano, mas, mesmo assim, a carteira ficou bem longe do Ibovespa. O que não quer dizer nada, claro... Em geral, o desempenho de minhas empresas foi absolutamente superior ao das empresas do Ibovespa, e certamente no futuro o quadro de rentabilidades irá se reverter.

Seguimos em frente!

segunda-feira, 21 de março de 2016

Recomendações do BTG: Marfrig e Minerva

Leio no Infomoney:

“A equipe de análise do BTG Pactual divulgou relatório em que comenta o setor de frigoríficos no Brasil. Os analistas recomendam compra para os papéis da Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3) e ainda comentam que 2016 será o “ano da carne”.

De acordo com a instituição financeira, a expectativa é de que esse ano seja bastante forte para esta indústria, mesmo com desafios pela frente como baixas margens e barreiras de entrada, o ciclo é favorável para a carne bovina.

(…) O preço-alvo estimado pelos analistas para o papel da Marfrig é de R$ 10,00 por ação, o que totaliza um potencial de valorização de 48,81% em relação ao fechamento do dia 18 de março de 2016. Já o preço-alvo para os próximos doze meses para a Minerva é de R$ 18,00, upside de 57,89%.”

(Link da notícia: http://www.infomoney.com.br/onde-investir/acoes/noticia/4771579/btg-recomenda-compra-para-acoes-espera-alta-quase-ano)

Achei interessante registrar no blog esta recomendação do BTG para que possamos verificar os resultados no futuro. Invariavelmente, tanto a Marfrig como a Minerva são péssimas empresas quando analisadas pelas lentes do value investing. Mas, segundo os analistas, poderão apresentar uma valorização expressiva neste próximo ano.

Eu sinceramente gostaria de entender qual metodologia estes analistas utilizam para prever algo deste tipo. Segundo os meus critérios, ambas empresas valem menos do que estão custando; além disso, é notável a deterioração de seus resultados nos últimos anos, em praticamente qualquer ângulo que se analise; e finalizando, são empresas bem fracas quando comparamos com seus pares do setor.

O segmento de carnes me interessa muito. Já analisei diversas vezes as empresas que o compõem. Se me perguntassem o que espero para o seu futuro, certamente responderia com um tom otimista. É um segmento essencial, que dificilmente sofrerá quedas drásticas de consumo. Mas, obviamente, este fato por si só não irá fazer com que as empresas prosperem.

De qualquer maneira, que fique registrado aqui esta recomendação. Será interessante verificar se realmente os analistas do BTG estão certos em suas previsões. Tentarei fazer isso mais vezes.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Voltando a Siegel; falando de renda fixa

Estimulado por um comentário que li em algum blog de finanças, revirei minhas prateleiras para encontrar o livro de Jeremy Siegel, Investindo em ações no longo prazo (Ed. Bookman, 5ª edição) e consultar uma informação. O livro é bem interessante, especialmente por expor diversos estudos diferentes acerca dos rendimentos de diferentes aplicações no longo prazo. Ao encontrá-lo e consultar a informação que procurava, revi novamente todos estes estudos e decidi escrever um artigo, visto que o momento é bem oportuno. Então, vamos lá.

Navegando pelos sites brasileiros que abordam investimentos e lendo a opinião de seus especialistas, podemos chegar a uma conclusão: é a hora da renda fixa. Com o tesouro pagando uma rentabilidade real de aproximadamente 7%, dificilmente vemos alguém defendendo que há investimento melhor a se fazer no momento do que os títulos públicos. Mas eu discordo: há sim; as ações historicamente superaram os títulos em rentabilidade no longo prazo, independente de quão alto estavam os juros, quão absurda estava a inflação, quão destruidoras foram as guerras, crises, e quaisquer outros eventos catastróficos do passado. E isto está evidenciado no livro de Jeremy Siegel.

O livro nos mostra dados interessantes comprovando que as ações são sim consideravelmente mais rentáveis no longo prazo. Através de um estudo com dados da economia americana abrangendo o período de 1802 até 2012, Siegel traçou um comparativo entre uma carteira diversificada de ações ordinárias escolhidas aleatoriamente e uma carteira composta de títulos públicos, sobre variados horizontes de investimento. Os resultados estão demonstrados abaixo:


Observem que para o prazo de um ou dois anos, as ações superam a rentabilidade dos títulos em cerca de três a cada cinco vezes, porém aumentando o horizonte de investimento, a rentabilidade das ações supera de forma progressiva e cada vez mais absoluta o rendimento dos títulos, ao ponto de que em um horizonte de trinta anos, em praticamente cem por cento dos períodos estudados as ações superaram os títulos públicos, assim como as letras do tesouro.

Abrindo um parêntese: quando penso no coro uníssono a favor de títulos vejo que vivemos em um país tão medíocre que a leitura de nossos jornais econômicos e de nossos especialistas financeiros nos prejudica muito mais do que ajuda no que diz respeito aos nossos próprios investimentos. Temos de passar por crises de confiança terríveis graças à enorme quantidade de desinformação que lemos diariamente. O investimento em valor é visto pelos analistas brasileiros como ineficaz, e constantemente somos recomendados a investir ou deixar de investir em empresas devido a situações exclusivamente momentâneas. O resultado disso? Dificilmente encontramos investidores no Brasil que mantêm suas aplicações por um período superior a dois anos. 

Infelizmente, a cultura afobada e a visão completamente distorcida que os brasileiros têm do mercado de ações faz com que, em geral, exista uma fortíssima corrente que os induz a se preocuparem demasiadamente com os retornos no curto prazo, o que acaba resultando em estratégias de investimento desastrosas, sem o menor embasamento racional e perspectiva de futuro, e que acabam gerando enormes perdas para a grande maioria dos investidores. Neste cenário, não é de todo ruim que se recomende títulos públicos... o investidor brasileiro comum não tem disciplina para manter uma carteira de ações, por isto, está fadado a perder dinheiro. Mas não, os títulos não são o melhor investimento.

Voltando ao Siegel, vejam outro exemplo claro de que as ações dão um banho de rentabilidade na renda fixa. No gráfico abaixo, foi simulado uma situação em que o investidor aplicasse um dólar em diferentes classes de ativos no ano de 1802 e mantivesse o capital aplicado durante dois séculos (óbvio, isso não é possível de forma prática, mas o gráfico tem o objetivo de apenas mostrar a evolução do capital). 




Pois é... o investidor que tivesse aplicado um único dólar em 1802, teria acumulado uma fortuna de 13,48 milhões de dólares no ano de 2012, enquanto o investidor que comprou títulos públicos teria acumulado cerca de 33,92 mil. O retorno real dos investimentos em ações no período estudado (já descontado da inflação) chegou a cerca de 8,1%, e importante salientar: não houve critérios de seleção para as ações que analisassem a administração das empresas, a sua consistência nos lucros, sua perspectiva de futuro, o estado de sua dívida, o crescimento de seu patrimônio... nada. Muitas das empresas que integraram esta carteira tiveram resultados pífios, mas mesmo assim podemos observar claramente que as ações predominaram sobre todas as outras classes de ativos. Será que os analistas brasileiros têm conhecimento destes dados? Por que então recomendam efusivamente o investimento em renda fixa?

“Ok, mas estes dados dizem respeito apenas aos Estados Unidos, que constituem a maior economia do mundo e cresceram assombrosamente nestes últimos dois séculos.”

Para a minha felicidade, a quinta edição do livro de Siegel já cuidou de refutar este argumento. Na verdade, Siegel foi bastante questionado após a publicação do primeiro volume, em 1994, sobre a validade de seus estudos para nível mundial. Movidos por esta questão, um grupo de economistas do Reino Unido examinou os retornos históricos das ações e títulos públicos em 19 países partindo do ano de 1900. A pesquisa foi publicada em 2002 em um livro intitulado Triumph of the Optimists: 101 years of global investiment returns. Resultado?


Pelos próprios autores:

“Em todos os países o desempenho das ações foi melhor do que o dos títulos. Ao longo dos 101 anos, apenas dois mercados de renda fixa e somente um mercado de letras ofereceram um retorno melhor do que o nosso mercado acionário no pior desempenho.”

Dizer o quê? Que o Brasil não está incluído nos países analisados? Mas como poderia estar, se somos completamente insignificantes perante ao mundo?

Toda a história corrobora a afirmação de que uma carteira diversificada de ações é o investimento que traz melhores retornos no longo prazo entre todas as outras classes de investimento disponíveis no mercado financeiro, não importa a situação econômica que o país possa atravessar. E mais: uma seleção de empresas feita com a devida diligência complementada de um acompanhamento constante da evolução de seus resultados pode trazer rentabilidades extraordinárias para o investidor que tenha paciência e disciplina para persistir em seus investimentos.

“Então você quer dizer que os títulos não estão bons para comprar?” Claro que estão, mas entre eles e uma carteira diversificada com boas empresas, não tenho dúvidas sobre qual escolher.

terça-feira, 1 de março de 2016

Fechamento - Fevereiro/2016

Vamos então a mais um fechamento mensal, o segundo deste blog. 

Fevereiro foi mais um mês ruim para a economia do país, como, aliás, tem sido todos os meses deste governo vergonhoso. Tivemos uma enxurrada de péssimas notícias, com destaque para um novo rebaixamento feito por uma agência de risco, a Moody's, além do pedido de falência do grupo Mabe, dono das marcas Dako e Continental. Cada vez é mais patente a gravidade de nossa situação, e por hora, nada de esperanças para alguma melhora.

O Ibovespa não acompanhou a tragédia dos noticiários, e teve uma alta de 5,91%, o que nos mostra mais uma vez que, definitivamente, o mercado é irracional.

No setor industrial, em que estou inserido, o clima é de pessimismo total. Notícias de demissões em massa, falência de empresas, corte de produção... A segunda maior empresa da cidade em que eu vivo, por exemplo, anunciou este mês que irá desativar cerca de 75% da produção em sua principal unidade. Estamos falando de milhares de empregos que simplesmente deixarão de existir.

Enquanto isso, vemos na Argentina um presidente corajoso devolvendo a dignidade perdida a seu país, após mais de uma década de kirchnerismo, esfregando na cara dos ignorantes esquerdistas que, sim!, o liberalismo SEMPRE funciona. Maurício Macri cortou impostos sobre a venda de carros e motos, impulsionando a produção; extinguiu os impostos sobre exportação, ressuscitando o agronegócio do país; diminuiu impostos sobre os salários, aumentando a renda dos trabalhadores argentinos; isso tudo, para desespero dos esquerdistas, aumentando a arrecadação. Que coisa, não?! É a prova de que, com um pouco de boa vontade e coragem política, é possível reerguer um país em frangalhos.

Pegando a onda da política, não poderia deixar de citar a prisão do marketeiro e sem vergonha João Santana, o homem que, sem dúvidas, ocupa o segundo lugar em importância na quadrilha do PT. Confesso que não esperava que esta prisão se concretizasse, e que ela não melhora em nada nossa situação, mas senti uma agradável sensação de justiça. Agora falta o chefe.

Mas vamos ao que interessa. A carteira, este mês, teve uma bela valorização, diminuindo um pouco o impacto do mês de janeiro. Os aportes, como disse, foram direcionados para uma nova categoria de investimentos, e muito provavelmente o mês de março será igual.

Abaixo as rentabilidades mensal, anual e histórica: 

Rentabilidade mensal: 3,82%
Rentabilidade anual: -4,27%
Rentabilidade histórica: -15,11%

Acredito que será comum oscilações significativas no decorrer de todo o ano. Minha carteira é jovem, ainda em formação, e estou demasiadamente concentrado em minhas aplicações. Com o tempo, a tendência é que eu esteja mais diversificado e, ao menos teoricamente, enfrente menores oscilações mensais.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A importância do preço de uma ação

Uma questão interessante que é causa de bastante divergência entre as diferentes abordagens daqueles que usam o método Buy and Hold é a importância do preço para a compra de um ativo. Sumariamente, podemos expor dois tipos de abordagem: os que dizem que o preço não é importante, que "sócio tem de querer pagar caro"; e os que acham o preço importante, constituindo um dos critérios para a seleção de uma empresa.

Estou no segundo grupo. Para mim, o preço que se paga em um ativo é essencial. Para exemplificar: comprar um carro popular pela metade do preço é um negócio mais vantajoso do que comprar um carro de luxo por mais do que ele realmente vale. É mais ou menos por aí que eu penso. 

Acredito piamente que ter sucesso como investidor não é exatamente ser sócio das melhores empresas. É ter os melhores retornos. E dependendo dos preços de compra dos ativos, muitas vezes nem uma nova Microsoft irá nos dar retornos expressivos. Por isso, defendo a ideia de que investir corretamente é comprar boas empresas por um preço justo. Em suma, é fazer os melhores negócios.

Que fique claro: ao dizer que o preço é importante não estou afirmando que qualquer oscilação mínima no preço de uma ação impactará em nossos retornos futuros, nem que o investidor deve tentar encontrar o timing certo para a compra em todos seus aportes mensais. O que estou dizendo é que existe uma notável vantagem em se comprar uma empresa P/L 5 ao invés de uma empresa P/L 40 caso a qualidade de ambas seja comparável.

E arremato: uma empresa barata não precisa apresentar resultados fantásticos para gerar altos retornos, já uma empresa cara necessariamente precisa.

Bom, agora vamos a outro ponto que julgo interessante.

Ações de valor x Ações de crescimento
Frequentemente vejo investidores que, para justificar sua opção por ignorar o preço das ações, afirmam que o crescimento é mais importante. Isso é certo? É claro! Aliás, depende. Os crescimentos futuros são realmente mais importantes, mas... podemos realmente compará-los? Comparar os indicadores de duas empresas me parece algo bastante palpável, enquanto comparar crescimentos futuros soa como algo demasiadamente especulativo. Mas vamos supor que estamos apenas comparando empresas com alto crescimento e empresas com baixo preço em relação aos seus fundamentos (lucros, dividendos e valor contábil), as chamadas empresas de valor. Neste caso, as primeiras levam vantagem?

Não. As ações de valor oferecem retornos mais altos que as ações de crescimento. Isto foi determinado em um estudo feito por Eugene Fama e Kenneth French, e resumidamente acontece porque os investidores pagam mais caro por ações de crescimento, que normalmente se encontram em setores que inspiram maior otimismo em relação aos seus resultados futuros, como o setor de tecnologia, por exemplo.

Já as ações de valor estão normalmente em setores considerados cíclicos, com pouca expectativa de crescimento ou, basicamente, setores em que a lucratividade é associada aos ciclos econômicos. Podemos citar aqui as empresas de energia como um ótimo exemplo.

Para ilustrar melhor, vamos a um trecho contido no livro de Jeremy Siegel, Investindo em ações no longo prazo que, aliás, é repleto de ótimos exemplos. Segue a transcrição:

"Para mostrar que o crescimento não se traduz necessariamente em retornos superiores, imagine-se por um momento como um investidor em 1950, no alvorecer da era digital. Você tem US$ 1000 para investir e tem a opção de escolher entre duas ações da Standard Oil de Nova Jersey (hoje ExxonMobil) ou uma nova empresa escolhida para que reinvista todos os dividendos pagos em novas ações e manterá seu investimento a sete chaves durante os próximos 62 anos, que será repartido no final de 2012 entre seus bisnetos ou doado para uma instituição beneficente de sua preferência.

De qual empresa você vai comprar? E por quê?

(...) a IBM supera amplamente a Standard Oil em todas as medidas de crescimento que Wall Street utiliza para escolher ações: vendas, lucro, dividendo e expansão do setor. O crescimento do lucro por ação da IBM ficou mais de três pontos percentuais por ano acima do crescimento do lucro da gigante do petróleo ao longo das seis décadas seguintes. À medida que a tecnologia da informação avançou e a tecnologia tornou-se mais importante para a nossa economia, este setor saltou de uma participação de mercado de 3% para aproximadamente 20%.

Em contraposição, a participação de mercado do setor de petróleo diminuiu significativamente no decorrer deste período. As ações de petróleo compunham em torno de 20% do valor de mercado de todas as ações americanas em 1950, mas caíram para quase metade do valor em 2012.

Com base nesses critérios de crescimento, ganhar o favoritismo dos investidores seria uma tarefa fácil para as ações da IBM. Mas a Standard Oil revelou-se melhor opção de compra. Embora as duas empresas tenham se saído bem, o retorno dos investidores da Standard Oil ficou mais de 1 ponto percentual por ano acima da IBM. Quando seu cofre fosse aberto 62 anos depois, os US$ 1000 que você investiu na gigante do petróleo valeriam US$ 1,62 milhões, mais de duas vezes o valor da IBM."

Conclusão: nem o crescimento do setor, tampouco o crescimento da própria empresa irão garantir que o investidor tenha altos retornos, ao menos não se ele pagar caro por suas ações. Perspectivas setoriais normalmente são inúteis, e o que realmente devemos nos esforçar é para ser sócio de boas empresas que estão sendo negociadas por preços abaixo do que realmente valem. Esta é a chave do sucesso.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Minha nova categoria de investimentos: empréstimos

Já faz algum tempo que venho agonizando por não conseguir aumentar de forma consistente meus aportes. Tenho conseguido guardar algo em torno de oitenta por cento de todo dinheiro que passa em minhas mãos nestes últimos meses, mas como minha receita não aumenta (e acredito que não irá aumentar tão cedo), meus aportes estão estagnados próximos ao que seria o meu teto. Carrego, portanto, a sensação de que preciso acelerar de alguma forma o crescimento do meu patrimônio, mas não sei exatamente o que fazer. Ou melhor, não sabia.

Me inspirando na estratégia do blog Viver de Construção, decidi trabalhar em uma nova fonte de renda para alavancar meu capital: destinando parte do meu patrimônio para empréstimos. 

Na verdade, eu não sei como não havia pensado nisso há mais tempo. Uma pessoa muito próxima de mim tem uma factoring e esta oportunidade estava gritando histericamente na minha cara. Eu sempre tive receio de emprestar dinheiro para outras pessoas, não gosto de ter de cobrar, e acho que por isso nunca havia pensado na hipótese de ganhar com juros. Mas, como disse, vejo uma pessoa muito próxima fazendo isso há muito tempo e ganhando bastante dinheiro. Então, por que não entrar neste barco?

Em cerca de dois minutos de conversa me convenci de que valia a pena. Não vou me envolver com a parte operacional, não terei de enfrentar nenhuma burocracia... Então, o plano será: irei repassar dez por cento do meu aporte mensal para esta pessoa, que irá cobrar uma taxa de administração de 0,5% e fará meu capital render 3,34%. Esta rentabilidade é um sonho, mas claro, os riscos são proporcionais. Sendo assim, irei estabelecer um teto para esta aplicação, que irá ser de R$ 15 mil, e me renderá cerca de R$ 500 mensais. Neste primeiro mês, irei destinar todo meu aporte para empréstimos.

Abro um parêntese: conversando comigo sobre a factoring, pude perceber que o padrão de clientes desta pessoa que conheço é sempre idêntico. Sempre são pessoas com ótimos salários, ótimos empregos e que fazem empréstimos rotineiramente como um método, queimando dinheiro com juros mês atrás de mês. É incrível como a esmagadora maioria dos brasileiros não têm nem o básico da educação financeira. Ah, um detalhe: até pelo perfil dos clientes, a taxa que irei receber ainda é relativamente pequena, pois sei de muitas factorings que trabalham com algo próximo de 5% ao mês.

Outra coisa importante: irei desconsiderar o rendimento dos meus empréstimos para as postagens futuras de fechamento mensal, mas posso postar a porcentagem de minha alocação entre ações e empréstimos. Estou pensando em fazer postagens mais detalhadas no fechamento.

Finalizando, tenho uma sensação de que esta minha guinada para uma estratégia mais arrojada pode me dar bons frutos no futuro. Este ano me propus fazer o que for necessário para ter o melhor desempenho financeiro de toda minha vida. Veremos como será.