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terça-feira, 11 de abril de 2017

Small caps: novamente a mesma tecla

Já dizia Nelson Rodrigues, a leitura é a arte da releitura. Neste último final de semana, resolvi voltar a um dos autores que edificou minha estratégia de investimento. Conheci William Bernstein após várias centenas de páginas sobre valuation, exatamente depois de ler John Bogle e desconfiar da minha capacidade como analista de empresas. The four pillars of investing é um livro que fatalmente me marcou e que julgo essencial para um estudioso do mercado. Com uma linguagem simples e instigante, o autor aborda sumariamente todos os principais pontos na construção de uma carteira.

E, como não poderia ser diferente, Bernstein aborda um dos meus preferidos: small caps. O autor recomenda um percentual de alocação neste tipo de empresa, e é algo que desde o princípio desde blog eu venho defendendo. É um fato: existe uma expectativa de retorno maior para small caps, como também para value caps. Por isso, faz sentido para o investidor utilizar desta abordagem.

Comprar empresas pequenas poderá agregar uma capacidade de multiplicação de capital significativa para uma carteira. Óbvio que nossas análises são imperfeitas, mas existe um amplo mercado inexplorado pelas small caps que, por si só, já constitui uma vantagem significativa. O que estou dizendo é que não veremos uma Ambev multiplicar por cinco seu valor de mercado, porque simplesmente não existe espaço para tal.

A abordagem de valor, por outro lado, faz ainda mais sentido: se compramos um ativo pagando menos do que ele vale, é bastante razoável crer que este será, dentro da normalidade, um negócio bem sucedido. Por isso alocar um percentual em small e em value caps é uma estratégia que pode trazer uma expectativa de retorno superior para nossa carteira.

Porém, diferente de outros autores, Bernstein é franco: expectativa não é garantia. E, apesar de sua recomendação, ele nos alerta para o fato de que, juntamente desta maior expectativa, vem o maior risco, a maior oscilação. Portanto, novamente caímos em um princípio básico: quanto de risco estamos dispostos a correr? 

Abaixo, um trecho do livro em tradução livre:

"Não há dúvida de que as small caps são mais arriscadas do que as grandes empresas. Elas tendem a ser frágeis e pouco consistentes. Mais importante ainda, seu volume de negociações é baixo —relativamente poucas ações mudam de mãos durante um dia comum e, em uma recessão geral, alguns vendedores motivados podem baixar drasticamente os preços. De 1929 a 1932, as small caps perderam 85% de seu valor, e de 1973 a 1974, uma perda de 58% foi incorrida. Por que, então, investir em small caps? Porque no longo prazo, eles oferecem maiores retornos; isso é particularmente verdadeiro para small-value caps, como já vimos anteriormente. Quanto de seu portfólio deve ser alocado em small e value caps? Novamente, depende da quantidade de tracking error que você pode tolerar. Small caps e ações de valor podem apresentar desempenho inferior aos índices de mercado por períodos muito longos —às vezes além de uma década, como ocorreu na década de 1990. Para demonstrar isso, compilei os retornos do mercado, das small caps, das large-value caps e das small-value caps nas últimas três décadas na Figura 4-10. De 1970 a 1999, as small-value caps apresentaram o maior retorno (16,74% anualizado), seguidas pelas large-value (15,55%), S&P 500 (13,73%) e small caps (11,80%). Mas a Figura 4-10 também mostra que, nos últimos dez anos do período, esse padrão foi virtualmente revertido, com o S&P 500 sendo o ativo com melhor desempenho, e as small-value caps, o pior. Assim, outra vez, volta à tona o tracking error: quanto tempo você está disposto a observar sua carteira performar abaixo do mercado antes que (esperançosamente) o quadro se inverta?"



8 comentários:

  1. Excelente análise meu amigo, irei pesquisar sobre esses autores.
    Venha participar: http://finansferachat.blogspot.com.br/

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  2. Muito bom, cara! Vou ler mais a respeito!

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  3. Muito bom pretenso milionário.


    A cada 6 meses aproximadamente compro um livro da velha escola de valor.

    Um dos fatores que me fez se interessar por small caps é justamente assimetria que existe entre valor & preço em relação as companhias grandes estabelecidas no mercado de capitais.

    Outro fator que nunca vi ninguém na blogosfera comentar, este tipo de empresa possui uma barreira natural para entrada de capital especulativo advindo de grandes fundos de investimento.

    Resumo: Este monte de fundos com dinheiro bolhado de programas de estimulas de BC como Q3 , fundos de pensões , multi mercado etc. Se mantém longe destes ativos por causa da liquidez limitada.

    Uma excelente oportunidade para quem investe em valor e busca maiores assimetrias entre preço e valor intrínseco.

    Apesar que no Brasil até blue chips tem anomalia de preço e valor gritantes.

    Estou montando uma biblioteca deste segmento em com ótimos estudos.





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    1. Mestre,

      Isso naturalmente acontece. Muitas small caps estão fora do radar do mercado, e acaba gerando essa assimetria entre preço e valor, que também é justamente o que me faz interessar por elas.

      Nosso mercado é realmente muito estranho, neste 2016 chegamos a ver Itaú e Bradesco com P/L's de 5. Como explicar? rs

      Abraços.

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  4. Excelente ponto de vista PM.
    Vou ficar de olho nisso tudo também
    Sucesso
    Dê uma passada lá no blog.
    https://funcionariopublicoinvestidor.blogspot.com.br

    Abc

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    Respostas
    1. Valeu, FPI. Depois dou uma passada lá.

      Abraços.

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