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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Fechamento - Outubro/2016: R$ 64.219,69 (+R$ 9.668,12 ou +15%)

Vamos a mais um fechamento mensal da carteira, mas antes, algumas considerações:

Afim de facilitar o trabalho do blogueiro Viver de Construção na coleta de dados para seu novo ranking financeiro, o título do fechamento foi alterado de forma a mostrar a valorização de patrimônio (critério adotado para o ranking do VdC) e não a rentabilidade (critério antes utilizado pelo blogueiro Uó para seu ranking, aparentemente extinto).

Passei um mês inteiro sem escrever, fruto de dias bastante conturbados no trabalho (lugar onde normalmente escrevo meus textos). Por isso, o fechamento de hoje será mais completo e abordarei algumas outras questões.

Pois bem. Este outubro foi o melhor mês da história deste blog se considerarmos o crescimento patrimonial, que foi fruto de um aporte acima dos padrões usuais e uma ótima rentabilidade. Isso me deixa bastante satisfeito, principalmente pelo fato de que algumas metas foram quebradas, e serão abordadas no decorrer do texto.

O Ibovespa novamente apresentou uma forte subida, de 11,23 pontos, chegando ao desempenho anual de 41,55%. Impressionante, tendo em vista que não há razão aparente que justifique tamanha alta.

Especialmente este mês, estimulado pelo ótimo resultado, refleti bastante sobre os rumos que a carteira vai tomando e se está de acordo com o planejado. Percebi que nos últimos meses, e justamente por fazer parte da blogosfera financeira, tenho questionado diariamente minhas posições no mercado acionário e a eficácia de minhas decisões. Olhando por alto, conta-se nos dedos quantos blogueiros possuem um patrimônio 100% alocado em ações, apenas para dar um exemplo geral, e estou tendo que conviver com questões do tipo:

Por que eu não tenho um centavo em renda fixa? Por que eu não estudo e invisto em FII's? Por que eu não encho a carteira de blue chips? Como a porcaria do Ibovespa, entupido de tranqueiras, consegue bater a minha rentabilidade? Como uma empresa como a Gol quintuplica seu preço em menos de um ano com patrimônio líquido negativo e uma dívida assustadora? Por que não vendo tudo, compro PIBB11, pago uma taxa de administração mínima e paro de ler relatórios? Por que não vendo tudo e abro um negócio?

Algumas questões são de fácil resposta, outras nem tanto, mas todas perduram em minha cabeça e me fazem pensar. Para mim, isso tem sido positivo em certo ponto, pois tenho reforçado minhas crenças e não mudei absolutamente nada em minha estratégia. Posso dizer que vi uma desvalorização da ordem de 30% em meu patrimônio e mesmo assim me mantive firme.

Vejam só, a questão da renda fixa: é muito tentadora a possibilidade de obter uma rentabilidade real próxima de 5% ao ano praticamente livre de riscos; a renda fixa brasileira, e só a brasileira, nos permite isso. Mas como negar que ser sócio de um negócio que gera um ROE de 20% ao ano seja mais vantajoso? Isso sem falar na possibilidade de crescimento dos lucros. 

É possível sim, às vezes com menor ou maior grau de precisão, projetar os lucros futuros de um negócio e verificar sua viabilidade como investimento. Se você compra um prédio comercial, por exemplo, pode projetar quanto receberia em aluguéis pelos próximos anos e em quanto tempo receberia seu investimento de volta. Possibilidade de vacância? Sim, ela existe, mas para isso também existe a margem de segurança, que seria trabalhar com uma projeção futura considerando o imóvel com um percentual fixo de vacância. Então vejam: se você encontra um imóvel totalmente desvalorizado que, nas piores e mais conservadoras projeções pode te gerar um retorno de 20% ao ano, isso sem falar em reajustes de aluguéis e valorização do próprio imóvel, como negar que se trata de uma excelente oportunidade?

E com a mesma abordagem podemos lidar com as empresas. Obviamente, muitas delas excedem nossa capacidade de compreensão, mas neste caso, é só ignorá-las e comprar empresas mais simples.

Atualmente, meu patrimônio está dividido em aproximadamente 15% para empréstimos, 20% para blue chips, 15% para pagadoras de dividendos e o restante diversificado entre small caps de crescimento/crescimento moderado que tem me surpreendido muito com seus resultados frente esta crise. A carteira de ações possui um beta abaixo de 1, o que mostra um caráter um tanto conservador para um perfil aparentemente mais agressivo. Tenho adicionado uma nova empresa a cada aproximadamente R$ 10 mil investidos e tenho seguido minha estratégia à risca, mais até do que poderia imaginar. A última venda já data mais de um ano, e não pretendo realizar outra tão cedo.

Dito isto, vamos aos números do mês.

1- Evolução patrimonial



O patrimônio, como já anunciado, teve um crescimento de R$ 9.688, o maior desde o início do acompanhamento, e quebrou a meta de patrimônio anual, de R$ 62.450. Em números absolutos, a carteira dobrou de valor em menos de um ano, surpreendendo a mim mesmo. 

Seria difícil imaginar, quando comprei meu primeiro livro sobre finanças, que em tão pouco tempo, tão jovem e com um salário tão medíocre eu atingiria R$ 60 mil. Claro, essa quantia ainda é irrisória quando se pensa em independência financeira, mas levando em consideração que possuo uma capacidade de aporte de R$ 2 mil mensais —e que aliás, em 2015 era menor e em 2014 menor ainda—, estes R$ 60 mil já se tornam expressivos.

Abaixo, afim de facilitar mais uma vez a coleta de dados para o VdC, uma tabela com a evolução patrimonial mês a mês. Esta tabela será fixa nos fechamentos.


2- Comparativo de rentabilidades


A rentabilidade, mais uma vez, positiva, e permitiu que a carteira encostasse no CDI. Obviamente, o período de acompanhamento ainda é muito pequeno, mas já permite alguns questionamentos, do tipo: como essa porcaria do Ibovespa continua a superar as altas mensais da carteira? O beta? Talvez... O que é fato é que ele tirou 20 pontos de vantagem em apenas 14 meses. Veremos como este gráfico se portará no futuro.

Abaixo, os dados sobre as rentabilidades mensal, anual e histórica:

Rentabilidade mensal: 6,81%
Rentabilidade anual: 23,72%
Rentabilidade histórica: 17,22%

3- Aportes mensais


Aqui, mais uma surpresa positiva. O aporte mensal foi de R$ 5.571, fazendo de outubro o melhor mês do ano. Os aportes anuais totalizaram R$ 20.745, batendo a meta anual de R$ 20.400. Novembro, provavelmente, será um mês sem aportes em decorrência do vencimento do seguro de meu carro. Independente disso, já vem uma sensação de dever cumprido.

No mais, a perspectiva para os próximos meses é de aportes contínuos em ações. Já possuo uma nova empresa em mente para a carteira, que venho estudando há exatos dois meses. Provavelmente, ela entrará em janeiro ou fevereiro, e possui o perfil de pagadora de dividendos. A próxima grande meta a ser batida é a de R$ 100 mil reais, projetada para janeiro de 2018. Tenho pensado na possibilidade —que talvez terei— de sacar meu FGTS. Se isso se concretizar, provavelmente conseguirei antecipar novamente esta nova meta, o que seria fantástico.

Mas, sem me animar muito, mantenho os pés no chão. Vamos ver o que o futuro nos reserva.

Adiante!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Fechamento - Setembro/2016: R$ 54.551,57 (-2,77%)

Mais um mês se passou, e seguimos firmes com o acompanhamento da carteira. É interessante perceber a clara evolução do patrimônio que, apesar das oscilações, tem conseguido acompanhar a meta projetada para o ano. Em valores absolutos, em doze meses a carteira praticamente dobrou, o que é muito gratificante.

Desta vez, tivemos uma rentabilidade negativa. Como se trata de renda variável, é óbvio que meses negativos virão. O foco é o longo prazo.

Sem mais delongas, vamos direto aos números:

Rentabilidade mensal: -2,77%
Rentabilidade anual: 17,73%
Rentabilidade histórica: 10,84%

1- Evolução patrimonial



A carteira recuou um pouco e atingiu R$ 54.551,57. Se no mês anterior pela primeira vez havíamos superado a meta projetada, neste mês já voltamos a nos postar ligeiramente abaixo. É importante dizer que esta meta de patrimônio, ao meu ver, é extremamente ousada, tendo em vista as minhas atuais condições de salário e gastos —a maioria deles fixos. Estar a perseguindo tem me deixado satisfeito.

2- Comparativo de rentabilidades


Se no último mês estávamos quase batendo o CDI, agora nos distanciamos novamente. Por enquanto, a expressiva queda que sofremos no primeiro mês de análise vem prejudicando a rentabilidade total da carteira. É aquela história: após uma queda de 25%, torna-se necessário uma alta de cerca de 35% para se voltar ao mesmo estágio de antes.

Importante dizer também que a carteira de ações está tomando mais a minha cara, se assim podemos dizer. Tenho estudado bastante a relação risco/retorno e acho que já estou bem próximo de um número ideal de empresas para a carteira, pelo menos numa projeção para os próximos dois ou três anos. Com o aumento do patrimônio, a tendência é aumentar a diversificação. 

No próximo ano, ainda não sei em qual mês, passarei a divulgar também neste fechamento a composição da carteira. Por enquanto, ainda não posso fazê-lo, afim de preservar o anonimato deste blog.

3- Aportes mensais


O valor do aporte foi de R$ 1031,61, um valor baixo, abaixo da meta, porém, como sempre, optei por pagar algumas contas à vista, o que acabou diminuindo minha capacidade de aporte. O próximo mês promete ser, talvez, o melhor do ano neste quesito.

É isso! E que venha outubro.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Reflexões [4]

I) Época de eleições. Acho incrível e fico aqui a pensar: de onde surgem tantos políticos? Ou por outra: onde estavam escondidos estes ilustres políticos que têm bombardeado nossas cabeças com seus jingles e carreatas? Difícil responder. Mas essa peculiar temporada me leva à outra reflexão.

Na cidade em que vivo, um vereador recebe um salário de R$ 12 mil, adicionados de mais R$ 12 mil de verba indenizatória (sei que você está se perguntando que porcaria é esta) e pouco mais de R$ 50 mil mensais para nomear sua equipe de assessores. Somando, temos um gasto mensal de R$ 74 mil, ou um gasto anual de R$ 888 mil (!!!) para cada vereador.

Bato estas linhas com um misto de espanto e motejo. Sabem qual é a maior ironia disso tudo? Não sei vocês, mas conheço alguns vereadores —e alguns candidatos com boa chance de se elegerem— e digo: nenhum, repito, nenhum deles possui a menor capacidade para exercer um cargo como este. Digo mais: não fossem políticos, teriam de aceitar salários próximos ao mínimo na iniciativa privada, já que não possuem qualificação para exercer profissão alguma.

Sim, a maioria deles entrou na política "apadrinhado". Muitos já vêm de uma boa condição financeira. Mas não deixa de ser um fato, se tivessem de trabalhar por conta própria, teriam de fazê-lo ganhando um salário medíocre. Digo a vocês, meus caros: o segundo vereador mais votado de minha cidade é um analfabeto; sim, analfabeto.

Faço o inverso e pergunto: algum bom candidato? Alguém que realmente possui o "know how" para exercer o cargo? Até agora, confesso, não encontrei.

Como sempre será um ano para votar, colocar um chinelo, abrir uma cerveja na varanda e, ao som de um irritante jingle, rir da própria miséria.

II) Após dois dias em choque profundo, minha repulsa finalmente deu lugar ao bom humor. Me refiro ao vídeo do famoso ator da Globo deixando uma serpente deslizar sobre sua perna. Colocando de lado suas preferências —que a mim são absolutamente incompreensíveis—, este é um caso que nos leva a pensar.

Será que o dinheiro entedia? Pergunto, pois foi exatamente o que me disseram ao mostrarem-me o referido vídeo. A pergunta pode até fazer sentido, já que chega a ser difícil encontrar respostas plausíveis para o que levou um ator rico, consagrado, que pode conseguir o que quiser, naufragar de forma tão notável. 

Mas não, nada disto tem a ver com dinheiro. O dinheiro simplesmente nos abre um leque de possibilidades. Sem ele, nos privamos a contragosto de muitos de nossos desejos; com ele, podemos não só usufruir, mas também imaginar novos desejos que antes eram absolutas impossibilidades.

O dinheiro, no fim das contas, é apenas um facilitador. Para ser usado precedem-se escolhas pessoais que acarretam os dissabores característicos da responsabilidade. Culpar o dinheiro é tentar eximir-se deles.

III) Me fascina a resolução dos comentários que leio a respeito do Ibovespa. No último "Reflexões", perguntei o que exatamente justificava um aumento de 40% no valor deste índice em apenas oito meses. Agora, já leio analistas divididos: para alguns, chegamos ao "topo"; para outros, continuaremos ascendendo vertiginosamente.

Será que não lhes passa na cabeça que este tipo de previsão é absolutamente inútil? Após tantos e tantos erros, deveria ser consenso que o mercado é imprevisível (e irracional). Qual o sentido de dispender-se tanto tempo em algo que foge tanto ao nosso domínio?

Sinceramente, não sei. Mas continuo me divertindo ao ler suas previsões —de preferência, as mais antigas.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Fechamento - Agosto/2016: R$ 55.074,42 (+4,79%)

Seguindo, de forma breve, o acompanhamento da carteira. Acabo de perceber que salvei o gráfico do comparativo de rentabilidades incorretamente. Explico: escrevo e salvo os gráficos em meu computador pessoal, em casa. Reviso os posts antes de publicá-los no trabalho. Sendo assim, para não prolongar-me ainda mais na divulgação dos resultados de agosto, postarei os dados que tenho e atualizarei o post com a rentabilidade mais tarde.

Agosto foi, para mim, um mês sem muitas surpresas. Vejo que estou claramente progredindo e essa sensação é motivadora. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. A marca de R$ 50 mil foi batida e a meta é ultrapassar os R$ 60 mil até o final do ano. Será?

Sem mais delongas, vamos aos números:

Rentabilidade mensal: 4,79%
Rentabilidade anual: 21,56%
Rentabilidade histórica: 14,29%

E logo em seguida, aos já conhecidos gráficos:

1- Evolução patrimonial

2- Comparativo de rentabilidades



3- Aportes mensais

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Leis trabalhistas: um entrave para o nosso progresso

Tema polêmico, sei. E muito pouco debatido. Para o brasileiro, as leis trabalhistas estão escritas na pedra, e qualquer louco que recomende possíveis alterações irá instaurar um pânico volatizado, seja na sala ou no bar.

Mas digo: estas leis (que já datam setenta anos) são grandes entraves ao nosso progresso.

Fosse eu o presidente, anularia tudo —rigorosamente tudo—, pois não existe, ao meu ver, absolutamente nada de vantajoso ao trabalhador em nossa CLT quando analisamos seus efeitos macro. São leis que tratam o empregador como um explorador, o trabalhador como um idiota e dão poderes inaceitáveis às máfias sindicais, que também, ao meu ver, não servem para nada.

Pois bem. Hoje abro o computador e leio na Veja (a reportagem completa pode ser acessada 
aqui):

"Governo pretende criar dois novos tipos de contrato de trabalho
As duas novas modalidades, a parcial e a intermitente, fazem parte da reforma trabalhista que será prioridade da agenda econômica em caso de impeachment

Com um contingente de 11,6 milhões de desempregados e 623 mil vagas formais fechadas só este ano, a equipe do presidente em exercício Michel Temer estuda formas de tornar viáveis duas novas modalidades de contrato de trabalho: o parcial e o intermitente. As propostas fazem parte da reforma trabalhista que será, ao lado da previdenciária, uma prioridade da agenda econômica caso o impeachment de Dilma Rousseff seja concretizado.

Tanto no trabalho parcial quanto no intermitente, a jornada de trabalho será menor do que as 44 horas previstas na legislação atual. Os direitos trabalhistas, como férias e 13º salário, seriam calculados de forma proporcional. A diferença entre os dois contratos é a regularidade com que o trabalho ocorre.

No contrato parcial, a jornada ocorre em dias e horas previamente definidos. Por exemplo, a pessoa poderá trabalhar em um bar somente nos fins de semana. Os técnicos acreditam que esse tipo de contrato vai beneficiar principalmente estudantes e aposentados que precisem complementar sua renda.

O trabalho intermitente, por sua vez, é acionado pelo empregador conforme a necessidade. Um técnico do governo exemplifica: o dono de um buffet pode ter um vínculo desse tipo com uma equipe de garçons e cozinheiros. Nos fins de semana em que houver festa, os trabalhadores são chamados. Quando não houver, o empresário não terá custo. O contrato parcial de trabalho já existe na legislação, mas a regulamentação é considerada ruim, o que gera insegurança para o empregador. Por isso, é pouco utilizado. A ideia é aperfeiçoar a legislação. (...)"

Leio esta notícia com decepção. O presidente havia prometido "profundas mudanças na legislação trabalhista". Agora vejo que a coragem é algo que escapa a Michel Temer, e nenhuma reforma profunda será feita em nossa CLT. 

Claro que contratos "parciais" e "intermitentes" são fundamentais para que muitos negócios funcionem. E caso fossem proibidos, vários empresários simplesmente não contratariam, e muitos funcionários perderiam seus empregos. Como sabemos, isso é o Brasil, e é evidente que, apesar de proibidos, estes contratos ocorrem fora da legalidade, pois tanto para o trabalhador quanto ao empregador, o contrato de trabalho temporário ou em jornada reduzida muitas vezes é vantajoso. 

Mas o problema não está em incentivar a inclusão do trabalhador no mercado formal, e sim em regulá-lo à moda antiga, adaptando os "benefícios" (que não tem nada de benefícios) à carga horária trabalhada e continuando a gerar um custo estratosférico em processos e indenizações que envolvem a Justiça de Trabalho, sindicatos, advogados e peritos, tudo isso para gerenciar um atrito social causado pelo governo.

Repito: nossas leis são arbitrárias, atrasadas e estúpidas. Elas não fazem nada mais que dificultar a contratação, roubar o trabalhador e sufocar o empresário, tudo isso por um altíssimo custo. A única reforma possível é a anulação da CLT e discussão de ponto a ponto do zero. Simples.

Continuo a ler a reportagem (ainda decepcionado), quando me deparo com isto aqui:

“O que me preocupa é que estamos num momento de desemprego elevado, de economia baixa, e a área empresarial pressiona para o governo colocar na pauta medidas para diminuir os custos, entre aspas, que nós consideramos investimento”, disse o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah."

Aqui está claro o porquê de que um debate sério neste país simplesmente não poder existir. Órgãos irrelevantes como esta tal UGT exercem pressão no governo, que por sua vez sufoca as empresas. O que este senhor conhece de administração? Nada. E sim, ele acaba não só influenciando o governo, como exerce influência nas decisões de grandes empresas, afim de prevenir possíveis punições.

Vejam só como é ridícula e absurda esta tese de que os custos das empresas são investimentos. Isso foi desmoralizado desde que Keynes ousou dizer que o governo, em tempos de crise, poderia cavar buracos e contratar empresas para tapá-los afim de incentivar a economia. Apesar de engraçado, esse tipo de besteira acaba sendo levado a sério, para nossa infelicidade.

Mais uma:

"À frente de uma central que tem em sua base principalmente empregados dos setores de comércio e serviços, Patah disse ter disposição para discutir o trabalho parcial, principalmente para jovens e aposentados. No entanto, ele quer garantir que nenhum empregado nessa categoria receba menos do que um salário mínimo."

Um ponto: reparem a postura autoritária deste cidadão irrelevante aos olhos de qualquer um. Ele disse "ter disposição para discutir". Risos. Segundo: Garantir que nenhum empregado receba menos que um salário mínimo é, na prática, garantir que nenhum empregado que produza menos que um salário mínimo trabalhe. Ao menos não na legalidade. Fico me perguntando por que ainda tenho de escrever isto...

Bom, o tema é extenso e a argumentação infindável (além de cansativa). Não irei me estender. Creio que estou decepcionado em razão de ter criado alguma expectativa com o novo presidente. Interpretei reforma trabalhista como reforma trabalhista. Não cometerei este erro novamente.

Um último ponto: estamos em ano de eleições. Onde estão os candidatos defendendo o fim da CLT e uma legislação mais flexível e menos regulatória para o Brasil?

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Cemig: até quando vai piorar?


Olhando para os resultados da Cemig, me pergunto: como é possível uma deterioração tão vertiginosa como a que está acontecendo com esta empresa?

Vejam, há bem pouco tempo atrás, a Cemig figurava claramente entre as melhores empresas do país. Passava ao acionista a sensação de segurança, por ser a maior e mais sólida do setor, além de ser conhecida por sua excelente prestação de serviços. Cairia bem em qualquer carteira.

Em questão de uns poucos anos, a realidade da empresa mudou —sim, mudou!—, e não foi por causa da crise. A Cemig está cometendo sucessivos erros administrativos e sinaliza desde e o final de 2014 que o foco da empresa não é mais exclusivamente gerar valor aos acionistas. E quando isso acontece, meus amigos, é hora de juntar nossas trouxas e abandonar o barco.

Este é o grande problema de ser sócio de estatais. O governo muda, a administração muda... e quem é pego com as calças na mão é o minoritário.

No caso da Cemig, a situação está mais que evidente. De 2014 para 2015, apesar de um aumento de cerca de 10% da receita, a empresa viu cair em aproximadamente 25% sua margem operacional. Crise? Não creio, não foram todas empresas do setor que apresentaram resultados semelhantes.

Que tal o aumento da dívida, que da ordem de R$ 9,5 bilhões em 2013 passou para R$ 15 bilhões em 2015 a juros de aproximadamente 10%? Para se ter uma ideia, estes 10% representam mais que o dobro do lucro líquido auferido pela Cemig nos últimos doze meses. É uma dívida mais que preocupante.

Outra: em meados de 2015 a empresa alterou seu estatuto abrindo mão do que, ao meu ver, era seu principal atrativo: sua sólida e generosa política de dividendos. De uma distribuição obrigatória aos acionistas de 50% dos lucros, a Cemig passou a pagar o mínimo exigido pela bolsa, 25%. Medida de contenção para a crise? Novamente, não creio. Para mim, o recado já estava dado.

E para finalizar, temos a trágica redução da lucratividade da empresa, caindo a níveis muito abaixo do aceitável. Sempre foi característico da Cemig apresentar um primeiro trimestre forte. Neste ano, o que vimos foi uma redução de 99,6% em relação a 2015, beirando o prejuízo. Os outros meses, bom... 




De fato, algo de muito errado está acontecendo na Cemig, e não creio ser algo temporário. Nos resta torcer para que a situação se melhore e que esta empresa consiga voltar algum dia a ser o que já foi em outros tempos. Porém, no meu caso, torcerei como um espectador: da minha casa, sentado no sofá, tomando algo de minha preferência. A mim, a Cemig não pode mais irritar; na pior das hipóteses, é só trocar o canal.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

A importância dos indicadores

Neste texto, volto ao tema da importância do preço na escolha de um ativo. Já havia abordado este assunto aqui, onde defendi a posição de que o preço de uma ação é importante. Novamente: quando digo que o preço é importante me refiro aos indicadores atrelados ao preço (P/L, P/VPa etc.), e não sobre acompanhar diariamente as cotações; aliás, mais uma vez reforçando: isto é uma total perda de tempo.

Os indicadores são excelentes ferramentas para auxiliar a análise de atratividade de um investimento. Quando analisamos os indicadores de uma empresa e os comparamos com similares do mesmo setor, obtemos importantes informações sobre como o mercado a avalia. Eles são muito úteis para identificar ações que claramente estão caras, e muitas vezes reforça nossa opinião de que estamos frente a uma pechincha. Basicamente, os usamos para detectar empresas extremamente sub ou sobreavaliadas.

Claro, da mesma maneira que um investidor deve usar um método de precificação apenas como uma ferramenta de auxílio, como uma base para um estudo mais profundo, a análise de indicadores deve ser utilizada com idêntica finalidade. É uma estupidez comprar uma empresa exclusivamente por seus indicadores, principalmente porque eles, por si só, não representam absolutamente nada em relação a perspectiva futura da empresa. E quando compramos uma ação, estamos apostando nosso dinheiro de que o negócio irá prosperar —ou, na pior das hipóteses, manter sua lucratividade constante. Sendo assim, se comprarmos empresas com base apenas em bons indicadores, certamente cairemos em furadas.

Para exemplificar: quando vemos um P/VPa abaixo de 1, temos em nossa frente uma empresa que está custando menos do que seu valor patrimonial. De forma crua, ao comprarmos esta empresa estaremos pagando menos do que ela possui em patrimônio. Porém, se não olharmos este mesmo VPa nos anos anteriores afim de captar sua evolução ou degradação, ignoraríamos, por exemplo, uma empresa que perdeu metade de seu valor em dois anos. Esta, ainda assim, seria atrativa aos nossos olhos, já que seu P/VPa naquele momento estaria baixo.

Outra: podemos encontrar uma empresa com o P/L baixíssimo, abaixo da média do setor, mas com quedas bruscas de lucratividade, aumento vertiginoso de sua dívida e uma péssima perspectiva de futuro.

Porém, por mais que indicadores não forneçam uma informação completa sobre a situação de uma empresa, eles podem ser-nos úteis, e sua utilização foi defendida por diversos investidores e acadêmicos. Abaixo, apresento brevemente —aos que já não conhecem— os mais conhecidos:

1) Eugene Fama e Kenneth French: um dos five-factors definidos por estes respeitadíssimos acadêmicos, através de seu Five-Factor Asset Pricing Model, que influenciam a expectativa de retornos de uma ação, é o P/VPa, sendo que este possui uma relação inversamente proporcional à expectativa de retorno de uma empresa. P/VPa baixo, expectativa de retornos alta.

2) Benjamim Graham: em O investidor inteligente, Graham recomenda que se dê a preferência à empresas com P/L abaixo de 15.

3) Peter Lynch: um verdadeiro caçador de pechinchas, Peter Lynch analisa os indicadores por diversos ângulos afim de encontrá-las. Para ele, alguns sinais que pode-se estar diante de uma empresa subavaliada são: P/L's abaixo de 5 para empresas com um histórico de lucros constante, P/L's abaixo da metade da taxa de crescimento dos lucros, dentre outros. O que de fato Peter Lynch não recomenda é que se ignore estes indicadores.

4) Jeremy Siegel: Siegel demonstra em seu Investindo em ações no longo prazo como nem sempre a melhor empresa apresentará os melhores retornos. Empresas de valor (com bons indicadores) podem superar fenômenos de crescimento, mesmo que não apresentem resultados tão expressivos. Também cito outro exemplo aqui.

5) Aswath Damodaran: sua análise relativa nada mais é que uma comparação entre indicadores. Para os interessados, explorei mais o assunto neste artigo.

Se fosse resumir, diria que os indicadores devem ser analisados sempre comparativamente, e basicamente por duas diferentes óticas: seu histórico, e frente às empresas do mesmo setor. No primeiro caso, estamos a observar quanto os investidores já pagaram por esta mesma empresa; no segundo, verificamos quanto o mercado paga por empresas concorrentes.

Mas antes de prosseguir, quero frisar novamente um ponto: analisar indicadores não é acompanhar oscilações de preço diárias. Entender esta diferença é fundamental, e creio carecer de um exemplo:

Vamos ver por que a variação de preços diária nada influi na análise dos indicadores. Imaginemos a Kroton, que fechou a última quinta-feira a R$ 15,28. Neste dia, seu P/L ajustado para o lucro dos últimos doze meses estava em 14,34. Um dia depois, no fechamento da sexta-feira, esta empresa obteve uma variação de -2,81% em sua cotação, baixando seu preço para R$ 14,85 no final do dia. O investidor que observasse seu gráfico veria o que se segue:




Esta variação, aparentemente significativa, alterou o P/L desta empresa de 14,24 para 13,94, o que é muito pouco. Vamos exagerar ainda mais. Suponhamos que a Kroton houvesse desvalorizado expressivos 15% neste dia, chegando aos R$ 13,11. Seu P/L, neste caso, cairia para 12,30, o que, para nossa análise, também continua não mudando muita coisa. Aliás, alguns investidores analisam o P/L por grupos (0 a 5; 6 a 10; 11 a 15...), portanto, para este caso, a empresa ainda se manteria no mesmo grupo. É por isto que digo que acompanhar oscilações diárias é uma perda de tempo.

Agora vamos ver o que esta análise nos informaria, pegando um gancho na análise relativa, de Aswath Damodaran. As empresas Ser, Estácio e Anima são as principais concorrentes da Kroton. Seus P/L's ajustados para a lucratividade dos últimos 12 meses são, respectivamente, 11,63, 16,91 e 16,02. Temos, portanto, uma média de 14,63. Comparando-a com o P/L da Kroton, percebemos que ela acompanha o que se paga pelas ações do setor. Portanto, aqui não encontramos nenhuma vantagem expressiva. Agora, novamente exagerando, suponhamos que o P/L da Kroton estivesse em 3,5 contra a mesma média de 14,63 do setor. Bom, aí sim poderíamos estar diante de uma pechincha, e é para casos gritantes como estes que analisamos os indicadores.

Um último exemplo que creio ser relevante. Vejamos a Estácio, empresa com o maior P/L do setor (16,91). Comparando-a com suas concorrentes, concluímos que ela está ligeiramente mais cara. Mas e se mudarmos a ótica de análise, desta vez para seu histórico? É o que teríamos a seguir:

              P/L
2012 30,33
2013 26,07
2014 27,38
2015 9,17
2016 16,91

Média 21,97

(Dados retirados do Bastter.com)

Nesta ótica, vemos que o que se paga hoje pelas ações da Estácio é cerca de 25% abaixo de sua média de preços retroativa. Isso poderia significar duas coisas: 1) a Estácio está barata e 2) seu setor, como um todo, sofreu desvalorização. Para este caso, de fato, o que ocorreu foi a segunda alternativa, e podemos observar esta mesma tendência de redução progressiva dos preços para as demais ações. Novamente, o que parece é que a empresa analisada não está descontada, porém, desta vez encontramos um indício de que talvez o setor esteja.

E é por isto que creio na utilidade dos indicadores. De forma simples, podemos obter tanto uma visão macro do setor, quanto uma visão específica da empresa analisada. Normalmente, como nos casos acima, os valores obtidos não serão suficientes para permitir-nos emitir um veredito sobre o status da empresa, porém não raro iremos nos deparar com diferenças de preço tão exorbitantes que não deixarão espaço para dúvida.