Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

terça-feira, 7 de junho de 2016

Reflexões [1]

I) É impressionante a reação do indivíduo ao ter o seu primeiro contato com algo parecido à educação financeira. Tenho observado-a após sucessivas indicações do livro “Pai rico, pai pobre” a amigos e, assim como aconteceu comigo mesmo, o deslumbramento misturado ao desespero é total.

Minha mais nova experiência deu-se com um pequeno comerciante —sim, dono de seu próprio negócio— que herdou sua loja, já há algumas décadas em posse de sua família. Nem ele, nem seus familiares que já assumiram a administração do negócio,  possuiam a menor noção de contabilidade básica, e cometeram inúmeros erros triviais ao longo do tempo, segundo ele próprio me relatou. Não faziam um bom controle de estoque, não gerenciavam as retiradas com a devida diligência —imaginem, um negócio com mais de um dono sem controles rigorosos de retiradas—, deixaram a loja ficar com um aspecto visual horroroso, dentre outras coisas.

O fato é que, não bastassem os problemas de caráter gerencial, ainda erraram em um quesito essencial: nunca tiveram uma visão de longo prazo. Não construíram um colchão de segurança —nem sequer um caixa saudável—, não buscaram diversificar seus investimentos, nunca tiveram a disciplina de poupar uma porcentagem do lucro e viveram por longos anos gastando rigorosamente todo os rendimentos do comércio. E agora, após a indicação de apenas um livro, ouço os mais sinceros agradecimentos e sou tratado como um mestre dos investimentos por alguém que, por sua experiência e berço, deveria muito bem me ensinar sobre negócios.

Chega a ser engraçado, mas trata-se de um fato comum no Brasil, e que nos deixa duas reflexões: 1) Inúmeras lojas sobrevivem e dão lucros com péssimas administrações, por que ainda trabalhar para os outros?; 2) Eu, que tanto estudo e pesquiso sobre negócios, hesito em aplicar todo meu capital em um comércio; diversos brasileiros, sem a menor noção de administração e gestão de negócios, empreendem todo seu dinheiro em microempresas. Seria a ignorância uma aliada da coragem? Ou o conhecimento aliado da covardia?

II) Um amigo próximo, após um breve período de namoro, decide se casar. Tem lá seus vinte e poucos anos. A noiva, mãe de um filho, não trabalha. Nenhum dos dois possui situação financeira saudável. Longe de mim criticar a instituição do casamento, mas pergunto: qual a chance de um caso destes dar certo?

O casamento, além de todo o resto, implica em morar junto, construir uma família, e isso gera um custo considerável. Sem planejamento, o mais provável é que mais este casal fique, no mínimo, estagnado financeiramente por um longo tempo. Por que é tão difícil enxergar o óbvio?

III) O Brasil em crise, e continuo a ver um ou outro conhecido saindo do país através do programa “Ciência sem fronteiras”. O perfil é sempre o mesmo: jovens, que não trabalham, ou trabalham em cargos de pouca responsabilidade e mal remunerados, acreditam que a experiência externa agregará maravilhas aos seus currículos. Doce ilusão.

Falar uma segunda língua pode ajudar alguém a entrar em uma multinacional? É claro que sim. Mas desde quando para isto é necessário abdicar-se de trabalhar e viver fora por um ano?

“Mas além disso tem o lado da experiência de vida...” Ah, claro!, as festas e a vodka. Também gosto de comemorar, mas fazer disto uma rotina não é exatamente o que agregaria maravilhas a um currículo.

O que realmente agrega a um currículo é a qualificação técnica aliada da experiência prática. Um ano fora do mercado, por conseguinte, irá prejudicar o currículo atrasando o ganho de experiência.

Aliás: viver por um ano com pequenas (quase nulas) obrigações e custeado pelo dinheiro dos outros é uma realidade tão fantasiosa que, quando vivenciada, tem mais a causar marcas de desídia na personalidade do mal-acostumado.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Fechamento - Maio/16: R$ 44.558,01 (-2,40%)

Mais um mês que se passa, e mais um fechamento mensal para este blog. Uma boa notícia: decidi incluir alguns gráficos nos fechamentos a partir deste mês, para enriquecer o conteúdo do blog e fortalecer ainda mais meu acompanhamento e compromisso com o crescimento da carteira.

Basicamente, serão três gráficos mensais abordando: a evolução patrimonial da carteira, comparando-a com o patrimônio projetado mês após mês; a rentabilidade da carteira, comparando-a com a do Ibovespa e a do CDI; e os aportes mensais, comparando-o com a média mensal estipulada por mim mesmo como meta. Mais abaixo explicarei cada gráfico com maiores detalhes.

Este mês de maio foi um mês de baixa na bolsa, ou melhor dizendo, um mês de correção, já que nos meses de março e abril o Ibovespa apresentou uma alta beirando os absurdos 25%. Se trata de algo normal —tanto a alta, quanto a correção—, já que nestes meses cresceu-se a euforia quanto ao afastamento de Dilma Rousseff, que acabou sendo consumado em meados de maio. Como já sabemos, o índice acompanha apenas o otimismo ou pessimismo dos investidores para com o mercado brasileiro, portanto, não reflete a situação atual de nossas empresas.

Neste mês também foram divulgados os resultados relativos ao primeiro trimestre de 2016 de todas as empresas de minha carteira. Tive uma empresa com um resultado fraco, mas compreensível, e uma empresa com um resultado, novamente, decepcionante; as demais mantiveram ou ligeiramente melhoraram seus resultados, nada muito animador mas, tendo em vista a aguda crise que todas elas estão enfrentando, pode-se dizer que foram bons.

Antes que perguntem, ainda não acho que os dois resultados ruins consecutivos da empresa citada acima justificam um fechamento de minha posição. Penso que, como estamos enfrentando a maior crise de nossa história, é normal que empresas realmente sofram com isso, e sofrer no sentido empresarial implica quedas bruscas de margens e até prejuízos que, apesar de não serem nem um pouco agradáveis ou desejáveis, acontecem, e temos de saber lidar com eles. 

Vejo muitos investidores que abandonam boas empresas em situações parecidas convencidos de que, como os fundamentos pioraram, a saída é a opção mais sensata. Esta é uma situação bastante delicada e acredito que a análise, como sempre, deve ser focada no longo prazo. Os fundamentos pioraram, mas é algo momentâneo ou envolve a gestão e a administração do negócio? Por que os resultados pioraram? Houve alguma mudança estratégica da empresa na abordagem de seu mercado? Se sim, por quê?; se não, por que não? A empresa tem feito algo errado ou deixado de tomar medidas para melhorar os resultados? Estas são algumas das perguntas que procuro responder neste tipo de situação. No caso em questão, ainda acredito na empresa, e acredito que mais de meio século de resultados convincentes dizem mais do que dois trimestres ruins. Seguimos em frente.

Sem mais delongas, vamos aos resultados:

A rentabilidade mensal da carteira atingiu -3,05%. Como já disse anteriormente, esta queda não me incomoda, pois não há absolutamente nada que eu posso fazer para controlá-la. O foco é o longo prazo. Lembrando também de que esta rentabilidade não inclui a valorização de meu capital investido em empréstimos, que será incluído no fechamento do patrimônio. 

Abaixo, os números resumidos:

Rentabilidade mensal: -2,40%
Rentabilidade anual: 8,10%
Rentabilidade histórica: 1,04%

Agora, vamos às novidades do blog. De início, o gráfico de minha evolução patrimonial. Comento em seguida.

1- Evolução patrimonial


Como podem perceber, a série histórica iniciou-se em agosto de 2015, porém, a rentabilidade começou a ser medida pela metodologia da planilha do blog Além da Poupança apenas em outubro. Mesmo assim, deixarei os meses de agosto e setembro no gráfico. A carteira fechou o mês de maio com o valor de R$ 44.558,01.

O patrimônio projetado engloba a meta de aportes mensais, R$ 1700, e a meta de rentabilidade mensal, 1%. Desde que iniciei a medição ainda não obtive sucesso em ultrapassá-lo, mesmo com uma média de aportes acima de minha própria meta, como vocês verão mais abaixo. Tudo culpa da maldita rentabilidade. Me dê alguns anos que mudarei este cenário.

No mais, percebe-se que, mesmo que vagarosamente, meu patrimônio tem conseguido crescer, e isto é o mais importante. Adiante.

2-Comparativo de rentabilidades


Na rentabilidade, como não poderia ser diferente, venho caminhando abaixo dos dois índices de referência. Quanto a ela, não tenho muito o que dizer por enquanto. Ou melhor, tenho sim: foda-se.

E para fechar, a evolução de meus aportes mensais neste ano de 2016:

3- Aportes mensais



Não postarei os aportes passados em razão minha meta ser anual. Como podem perceber, estou um pouco acima da meta estipulada, porém, não muito. Um fato a ser mencionado é que normalmente faço os aportes na semana em que cai meu salário, no início do mês. Sendo assim, se no decorrer deste mesmo mês eu receber dividendos, estes são abatidos do valor do aporte mensal. Desta feita, acabei comprando um valor maior em ações do que o valor exposto no gráfico nos últimos dois meses, já que recebi expressivos dividendos em abril, e bons dividendos em maio. A tendência é que, no próximo mês, o aporte mensal venha acima dos últimos dois.

Para efeito de curiosidade: em janeiro aportei forte por ter tirado —e vendido parte de— minhas férias, e em março não aportei devido a gastos inesperados e inadiáveis. Até poderia ter feito um pequeno aporte, mas preferi postergá-lo e aportar mais forte em abril —o valor adicional não pode ser notado devido ao motivo já mencionado anteriormente.

Então, é isso aí! Mas antes de finalizar, gostaria de deixar meu abraço à presidente afastada Dilma Rousseff que, entediada com a monotonia e pacacidade de seu novo cotidiano, pode muito bem estar lendo este blog. Dona Dilma, seu lugar é aqui!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Impressões iniciais sobre o governo Temer

Finalmente, Dilma Roussef caiu e, para alívio dos brasileiros, começa-se um novo ciclo. Michel Temer tem grandes desafios pela frente e, segundo os meus critérios, tem se saído bem nessas primeiras semanas como presidente interino. Claro, sei que ele não é um Maurício Macri e que até pouco tempo era sócio da cleptocracia que se instalou no Brasil. Mas, por hora, é o que temos.

Então, citarei alguns pontos positivos e negativos que observei até agora:

1) Dos ministérios

Temer, de forma inteligente, cortou oito ministérios (acabou voltando atrás no Ministério da Cultura) e fez algumas boas e más nomeações. Das boas, destaque para Henrique Meirelles, no Ministério da Fazenda, uma boa nomeação em um ministério que terá o maior dos desafios pela frente: conduzir o país novamente ao crescimento. A situação econômica do Brasil é gravíssima, e impacta direta e profundamente na vida da população. Por isso, Temer foi bem em acertar neste ministério mais do que essencial.

Por outro lado, percebe-se que Temer nomeou diversos investigados pela Lava Jato, além de notáveis fisiologistas para seus ministérios. É um ponto negativo, óbvio, e mostra que o presidente teve de ceder as forças que comandam o asqueroso jeito de fazer política no Brasil. Mas, pensando de forma pragmática, será que Temer conseguiria construir uma base imediata no Congresso de outra maneira? É triste admitir, mas tenho lá minhas dúvidas.

2) Da Lava Jato

A manutenção de Leandro Daiello no cargo de diretor-geral da Polícia Federal foi uma importante sinalização de que a Lava Jato continuará avançando. Temer mostrou que não é estúpido o bastante para tentar interferir nas investigações.

3) Dos gastos públicos

Até agora, não vi cortes pesados em gastos públicos, apesar da redução ministerial e apesar de ter lido que o governo irá realizar cortes maiores. Meirelles disse que não aumentará os impostos, "no momento", enquanto deveria ter dito que não aumentará os impostos de forma alguma. Sabemos que, para a necessidade de aumento de receita, o que não nos falta são empresas públicas a serem privatizadas e concessões a serem feitas.

Por outro lado, as medidas anunciadas nesta terça-feira (24) foram excelentes e surpreenderam minhas expectativas. Primeiro, a devolução de R$ 100 bilhões do BNDES ao Tesouro, no prazo de 24 meses. Segundo, o apoio ao projeto que retira da Petrobras a exclusividade das atividades no pré-sal e acaba com a obrigação de a estatal a participar com pelo menos 30% dos investimentos em todos os consórcios de exploração  — o ideal seria privatizar a Petrobras inteira, mas isto já é alguma coisa. E terceiro, e mais importante, foi a medida que estabelece teto para os gastos públicos, que será algo extremamente saudável para nossa economia. Gustavo Patu, da Folha de S. Paulo, a explicou:

"Pelo que foi anunciado nesta terça-feira, pretende-se que o crescimento anual da despesa do governo seja limitado à inflação do ano anterior. Em outras palavras, a despesa total ficará congelada em termos reais.

Para uma ideia do impacto da medida, o Orçamento da União seria pouco mais de metade do que é hoje se ela estivesse em vigor nos últimos dez anos.

De 2006 a 2015, o gasto não financeiro do governo (com pessoal, custeio, programas sociais e investimentos) cresceu 93% acima da inflação e atingiu R$ 1,16 trilhão - com a regra defendida por Temer, o montante não passaria de R$ 600,7 bilhões".

Excelente.

4) Da virtude de voltar atrás

Se Temer mostrou ao Brasil uma virtude, certamente foi a de voltar atrás em suas decisões. Esta humildade há muito tempo era inexistente no governo, com uma presidente que não só insistia no erro de forma incansável, como também dobrava a aposta como medida paliativa. Essa sucessão e progressão incontável de erros que nos trouxe até aqui. Temer, diferente de Dilma, voltou atrás diversas vezes, sinalizando ao país que, como ele mesmo disse, "não tem compromisso com o erro". O exemplo mais recente desta prática foi o afastamento imediato do ministro Romero Jucá após a divulgação de áudios que comprometiam a credibilidade do governo. Muito bom, e algo inimaginável com Dilma no poder.

5) Para todos os efeitos, Temer é melhor que Dilma

Não me resta dúvida alguma de que Temer é melhor que Dilma em qualquer quesito e perspectiva que se avalie. A saída do PT do poder será extremamente benéfica ao país. Portanto, minha perspectiva em relação ao futuro melhorou, ao menos relativamente. 

Sei que o buraco é muito mais embaixo, que nossa situação ainda é extremamente crítica e que tudo que foi anunciado até agora é muito pouco para resolver nossos problemas, aliás, dificilmente iremos resolver a maioria de nossos problemas. Mas, não deixa de ser um alento saber que agora estamos sendo governados por Michel Temer, ou melhor, que não estamos mais sendo governados por Dilma e pelo PT.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Comprar na baixa e vender na alta: uma mentira que induz ao erro

Comprar na baixa e vender na alta é talvez a maior obsessão do investidor pouco instruído. Ele acredita que, para conquistar seu sucesso como investidor, esta seja a fórmula do sucesso. Particularmente, não nego a possibilidade de sua execução, mas afirmo com toda certeza que a imensa maioria dos métodos utilizados para tal simplesmente não funcionam, nem mesmo na teoria.

Existe uma grande carência em educação financeira no Brasil, e isso acaba pesando a responsabilidade dos que assumem o papel de educar. Infelizmente, a maioria dos educadores financeiros brasileiros estão mais preocupados em ganhar dinheiro que com a qualidade da informação que disseminam, e pouco se importam com os estragos que podem causar. Na ausência de educadores de qualidade, mentiras são propagadas com maior facilidade, e a busca por conhecimento se torna um caminho repleto de armadilhas.

Mostro um exemplo para justificar o que digo. Resgato um artigo antigo escrito pelo André Fogaça, fundador do GuiaInvest, um dos principais sites de investimentos do Brasil – aliás, um bom site. Poderia pegar outro exemplo, mas acredito que este este seja o mais emblemático pela visibilidade que o site GuiaInvest possui e pela quantidade de pessoas que este artigo pode ter influenciado.

Clique aqui para ler a íntegra.

Como pode-se observar, André escreveu este artigo apenas para ganhar visitas em seu site, o que não é nenhum problema, desde que o conteúdo não seja uma farsa e nem induza os seus leitores ao erro. Como se propõe a educar financeiramente, ele deve sim arcar com o peso de sua responsabilidade, que poderá construir ou destruir poupanças de uma vida de trabalho.

Vamos ao artigo, que se prova um embuste desde o título.

"Como comprar ações na baixa e vender na alta em 5 passos (Garantido!)”

Vejam que, não bastasse o título principal, entre parênteses ainda é reforçada a infalibilidade do método. Isto é apenas uma técnica de marketing usada para causar uma falsa sensação de segurança no leitor. É um engodo, pois na verdade este método não é garantido por ninguém; ninguém irá ressarcir prejuízos caso venham a acontecer e não existe nenhuma prova teórica de que ele funciona. Aliás, não funciona.

“Será que existe uma maneira de fazer isso de forma consistente ao longo do tempo?
A boa notícia é que existe, sim, um método e ele é mais simples do que você imagina. (…)

O resultado de comprar ações na baixa e vender na alta faz parte da estratégia conhecida por Alocação de Ativos.

Esta estratégia busca melhorar a relação risco x retorno da sua carteira de investimentos por meio da diversificação em cada classe de ativos.”

A “estratégia de alocação de ativos” descrita é basicamente definir um percentual para cada aplicação e usá-lo como parâmetro de alocação desejada ao longo do tempo. Esta prática pode trazer vários benefícios para o investidor, mas, diferente do que está afirmado no artigo citado e em vários outros, ela definitivamente não garante que  ninguém compre na baixa e venda na alta.

Seguindo em frente no texto, são apontados cinco passos para se “comprar na baixa e vender na alta”, conforme abaixo:

Passo 1: Definir o seu perfil de investidor
Passo 2: Escolher os Ativos para cada categoria (Renda Fixa e Renda Variável)
Passo 3: Definir o percentual para cada Ativo dentro de cada categoria
Passo 4: Reequilibrar com aportes mensais, caso os tenha
Passo 5: Reequilibrar periodicamente

E vejam só o que se lê no último passo:

“Esta é a parte mais importante da estratégia. É aqui que acontece a “mágica” de comprar ações na baixa e vender na alta."

André Fogaça está afirmando que uma “mágica” acontece quando se reequilibra periodicamente os ativos. E explica a tal magia em seguida:

“Digamos que você começou o ano com a seguinte composição da sua carteira de investimentos: 30% em renda variável e 70% em renda fixa. Após 6 meses, a composição passou para 40% em renda variável e 60% em renda fixa.

Neste caso, para reequilibrar sua carteira, você deverá vender 10% da parcela de renda variável e comprar 10% de renda fixa. Assim, sua carteira voltará à composição inicial de 30% em renda variável e 70% renda fixa. Perceba que, nesse caso, você estará vendendo ações na alta.

Agora, digamos que aconteça o oposto. No mês 1 você começa com 30% em renda variável e 70% em renda fixa. E digamos que, no mês 6, a sua carteira estará com 20% em renda variável e 80% em renda fixa.

Neste caso, para reequilibrar sua carteira, você deverá vender 10% da parcela de renda fixa e comprar 10% em renda variável.

Assim, sua carteira voltará à composição inicial de 30% em renda variável e 70% em renda fixa. Perceba que neste segundo exemplo você estará comprando ações na baixa (sexto mês).

Se fizer isso ao longo do tempo, você vai estar sempre comprando ações na baixa e vendendo na alta. Simples assim.”

Simples assim. Por isso temos legiões de milionários que construíram suas fortunas seguindo o método acima. Não é mesmo?

Mas é claro que não. Este argumento é apenas mais um dos vários sofismas financeiros. Ele não funciona nem nunca funcionará simplesmente por partir de uma premissa falsa: a de que o mercado oscila para cima e para baixo ao longo do tempo em torno de uma linha média. Isto não acontece porque o capitalismo permite a criação e destruição de valor em massa. E é exatamente este poder que permite ao investidor ganhar rios de dinheiro ao longo do tempo.

Imagine um investidor que tivesse comprado ações do Google, Facebook, ou qualquer empresa que obteve um crescimento avassalador ao longo do tempo. Se utilizasse a estratégia infalível do sr. André Fogaça, este investidor teria se desfeito de todas suas ações ao longo do tempo, obtendo uma lucratividade drasticamente inferior a que teria obtido caso mantivesse suas ações. É precisamente isto que esta estratégia, quando executada de maneira automática e irracional, pode fazer: destruir o potencial de nossas melhores ações.

Para finalizar, dou-lhes uma preciosa dica: não levem a sério textos acompanhados de uma foto sorridente do autor. Pode ser inadequado em alguns casos, mas na esmagadora maioria funciona (garantido!).

domingo, 1 de maio de 2016

Fechamento - Abril/2016

Então, vamos a mais um fechamento mensal. Este mês de abril foi mais um mês de otimismo na bolsa, principalmente devido à condução política do processo de impeachment que, finalmente, parece certo que será consumado. Uma boa notícia para os brasileiros, aliás, infinitamente melhor que o saldo positivo da bolsa.

Se de fato a presidente perder o mandato, se dará um ambiente extremamente propício para que sejam feitas amplas reformas estruturais que nosso país tanto precisa. É uma pena que tivemos de chegar a este ponto tão crítico para que isto acontecesse, mas agora, temos de nos contentar com o que temos. Michel Temer terá a chance de, como ele mesmo disse, entrar para a história, e acredito que tenha totais condições para fazê-lo. Apesar de não confiar nem em Temer, nem em seu partido, acredito que as circunstâncias não lhe oferecem outra opção. Bom para ele, bom para nós.

Quanto à valorização da carteira, esta foi fortemente influenciada pelo recebimento de dividendos de várias empresas, e apresentou um resultado acima do Ibovespa. A rentabilidade histórica finalmente saiu do vermelho (lembrando, a série histórica de medição se iniciou em outubro de 2015, apesar de as postagens terem começado apenas este ano), mas ainda está abaixo do acumulado tanto do Ibovespa, quanto do CDI. Nada que me preocupe, claro, o objetivo da carteira é de longo prazo. Aliás, mas uma vez frisando: os posts mensais de rentabilidade, para mim, apenas são úteis para que eu tenha um acompanhamento mais diligente da valorização de minha carteira; os resultados mensais são de mínima importância.

Dito isto, vamos aos números:

Rentabilidade mensal: 9,50%
Rentabilidade anual: 12,30%
Rentabilidade histórica: -0,67%

Para finalizar, este foi um mês em que li vários livros, estudei bastante e acabei me dedicando pouco ao blog. Foi-se o mês e percebo que realizei apenas um post além do post de fechamento mensal, o que é muito pouco. Minha vida pessoal está maravilhosa, com expressivas evoluções em todas as áreas em que me propus a dedicar este ano. Percebo que a partir do momento em que comecei a me focar totalmente em meus objetivos, fui melhorando paulatinamente minha vida e criando uma corrente positiva ao meu redor que acabou por mudar completamente minha realidade dentro de alguns poucos meses.

Estou viajando no post? Escrevo após fumar um baseado? Nada disto, senhores. Aquela velha história de que "o universo conspira" é sim verdade, e estou testemunhando isto em primeira pessoa. A primeira vez que li isto já faz alguns bons anos, e só agora pude realmente perceber. É incrível o que acontece quando nos tornamos conscientes de nossa capacidade de mudar a própria realidade. Digo isto por minha própria experiência: em oito meses mudei a minha de uma maneira formidável, desde questões mais superficiais, como aparência, até questões mais profundas, como a mente e o espírito. Tenho dedicado meus esforços para questões que julgo realmente importantes, e parei de perder meu tempo e energia com futilidades. Está sendo impressionante. E fica aqui o meu relato.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Desemprego e inadimplência: as consequências de não se investir em produtividade

Leio em O Financista:

"A escalada do desemprego tem atingido cada vez mais pessoas e quatro em cada dez brasileiros (42,2%) têm algum familiar desempregado dentro da própria casa, segundo pesquisa da SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e da (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas).

O número salta para 76,3% quando se trata de conhecer alguém que foi demitido nos últimos seis meses ou que tiveram de encerrar as atividades do seu negócio.

Diante do mercado de trabalho em deterioração, 82,7% dos pesquisados acreditam que o desemprego aumentará neste ano e mais de um terço (37%) avalia que não se sentem seguros em seu trabalho."

Em outra reportagem:

"O número de inadimplentes atingiu 60 milhões em março, o que representa 41% de toda a população brasileira, segundo a Serasa Experian. É o maior patamar registrado em toda a série histórica, iniciada em 2012.

Mais de dois milhões de pessoas entraram para a lista de inadimplentes apenas no primeiro trimestre deste ano. As dívidas em atraso somam R$ 256 bilhões."

As notícias são de hoje (13/04) e ontem (12/04), e os links estão disponíveis no final deste texto. Recomendo que vejam.

Bom, então está aí, para quem quiser ver, quais os reais efeitos de se estimular o consumo através de crédito e não se investir em produtividade. Diferente do que é ensinado em nossas universidades, essa estratégia é um fracasso absoluto quando aplicada. É uma pena que, como sempre, temos de aprender da pior maneira, mas alertas não faltaram de que estas consequências seriam inexoráveis.

Funciona mais ou menos assim: o crédito é concedido, sem um aumento proporcional da riqueza do país; com isso, o consumo aumenta momentaneamente; aumentando o consumo, aumenta-se a demanda; a emissão de crédito, por sua vez, ocasiona um aumento na inflação; com a inflação, o dinheiro de quem trabalha vale cada vez menos, portanto, não tendo um aumento proporcional de seu salário, o trabalhador precisará de outra fonte de renda para manter o mesmo padrão de vida; este último item, aliado de uma grande facilidade de crédito, ocasiona pedidos em massa de financiamentos; passado o período de alto consumo gerado pelo crédito, a demanda cai; caindo a demanda, diminui-se a produção; com a produção em baixa, funcionários são demitidos (funcionários estes, que normalmente aproveitaram da bonança de crédito); demitidos, não podem honrar suas obrigações, e acabam entrando para a conta do Serasa.

É simples, mas keynesianos não entendem. Não existem milagres em se tratando de economia. Certas medidas ocasionam certas consequências. E assim como não afundamos neste buraco de um dia para o outro, não será desta maneira que sairemos dele.

Acredito que ainda não estejamos frente ao momento mais crítico desta crise. Ainda veremos o desemprego aumentar, que aumentará consequentemente a inadimplência. Para aqueles que são sócios de bancos, creio que surpresas desagradáveis virão nos próximos relatórios. Para aqueles que perderam o emprego, creio que não há sinais de melhoria do mercado a curto prazo.

O momento é de estacar a sangria que está nos matando, para depois pensarmos em alguma melhoria a médio prazo. Por hora, a única coisa que posso dizer é: temos de extirpar o PT do poder.


*

Referências: 

Link 1

Link 2

sábado, 2 de abril de 2016

Fechamento - Março/2016

Senhores!

Vamos a mais um fechamento mensal deste blog, em um mês em que o Ibovespa valorizou-se praticamente 20%. Tenho lido postagens extremamente otimistas e em geral os investidores se animaram bastante com esta subida repentina e inesperada. Entendo... Estamos há mais de três anos em queda livre, e uma subida desta ordem é um alento para os corajosos investidores que seguram seus investimentos em tempos como estes. Parabenizo-os por isso, mas infelizmente não compartilharei do mesmo otimismo.

O que está acontecendo no Brasil é uma verdadeira tragédia. Neste mês de março, além da grande subida do Ibovespa, também deu-se a divulgação dos resultados anuais do exercício de 2015 por parte das empresas listadas na bolsa. E em geral, como foram os resultados? Horrorosos, trágicos, assustadores, absolutamente desmotivadores.

Segundo dados divulgados pela consultoria Economatica, o lucro das empresas de capital aberto no Brasil caiu 87,2% em 2015, em comparação com o ano anterior. Somadas, as 297 empresas tiveram lucro de R$ 14 bilhões no ano passado, ante R$ 109,8 bilhões em 2014.

O PT destruiu o nosso país.

Enquanto não tirarmos estes canalhas do poder e colocarmos alguém minimamente decente que possa diminuir a estrutura do governo e divulgar de forma transparente o tamanho do buraco em que nos metemos, não será possível fazer uma previsão razoável de quanto tempo iremos levar para voltar aos trilhos.

Dito isso, faço um breve comentário a respeito dos resultados anuais das minhas empresas. Em geral, e tendo em vista as circunstâncias, fiquei satisfeito. Apenas uma empresa me decepcionou, mas não ao ponto de me obrigar a retirá-la da carteira. Não irei fazer nenhum movimento brusco nos próximos doze meses. Continuarei aportando, acompanhando, estudando, e a estratégia continua rigorosamente a mesma.

Sem mais delongas, vamos aos resultados:

Rentabilidade mensal: 7,07%
Rentabilidade anual: 2,50%
Rentabilidade histórica: -9,11%

Tive a maior rentabilidade mensal do ano, mas, mesmo assim, a carteira ficou bem longe do Ibovespa. O que não quer dizer nada, claro... Em geral, o desempenho de minhas empresas foi absolutamente superior ao das empresas do Ibovespa, e certamente no futuro o quadro de rentabilidades irá se reverter.

Seguimos em frente!